Uruguai – 1930
No dia 13 de julho de 1930, na cidade de Montevidéu, inicia-se a apaixonante história das Copas do Mundo.
O mundo estava em ebulição no início da década de 20. Em 1929, o crash da bolsa abala os Estados Unidos e os efeitos são sentidos mundialmente. Também é a época em que o líder Joseph Stalin determina que todas as fazendas em território soviético sejam coletivizadas. Protestos de camponeses, seguidos de violenta repressão, marcam a implantação do comunismo. No Brasil, um golpe de Estado leva Getúlio Vargas ao poder.
Enquanto isso, treze países disputam o título da primeira Copa do Mundo de Futebol da história, na América do Sul. O Uruguai inaugura o estádio Centenário, com capacidade para 100.000 espectadores, para receber o Mundial.
O Brasil, sem contar com todos os seus melhores jogadores, é eliminado na primeira fase. Surprendentemente, os Estados Unidos conquistam o terceiro lugar.
Uruguai e Argentina repetem a final olímpica de dois anos antes. Os donos da casa levam a melhor e conquistam o primeiro título de campeão mundial.
HISTÓRIA
Do papel à prática

No dia 13 de julho de 1930, na cidade de Montevidéu, inicia-se a apaixonante história das Copas do Mundo.
O mundo estava em ebulição no início da década de 20. Em 1929, o crash da bolsa abala os Estados Unidos e os efeitos são sentidos mundialmente. Também é a época em que o líder Joseph Stalin determina que todas as fazendas em território soviético sejam coletivizadas. Protestos de camponeses, seguidos de violenta repressão, marcam a implantação do comunismo. No Brasil, um golpe de Estado leva Getúlio Vargas ao poder.
Enquanto isso, treze países disputam o título da primeira Copa do Mundo de Futebol da história, na América do Sul. O Uruguai inaugura o estádio Centenário, com capacidade para 100.000 espectadores, para receber o Mundial.
O Brasil, sem contar com todos os seus melhores jogadores, é eliminado na primeira fase. Surprendentemente, os Estados Unidos conquistam o terceiro lugar.
Uruguai e Argentina repetem a final olímpica de dois anos antes. Os donos da casa levam a melhor e conquistam o primeiro título de campeão mundial.
HISTÓRIA
Do papel à prática

A Fifa, criada em 1904, já pensava em realizar um campeonato mundial de futebol. Mas não foi fácil. Em 1905, durante um congresso em Paris, o presidente da entidade, o francês Ribert Guérin levantou o assunto. Ninguém se interessou, e o assunto voltou para a gaveta.
A segunda tentativa não foi destruída pela falta de interesse, mas sim pela primeira grande guerra mundial, entre 1914 e 1918. Somente nas mãos de Jules Rimet, em 1928, e com o sucesso do torneio olímpico de futebol, a primeira Copa do Mundo saiu do papel e virou realidade. Durante um congresso da Fifa em Amsterdã, ficou decidido o que todos nós já sabemos: a partir de 1930, e a cada quatro anos, seria realizado um campeonato internacional de futebol. Meses depois, ficou decidido de que o Uruguai, bicampeão olímpico, seria o primeiro país-sede da competição, depois da desistência de Espanha, Holanda, Hungria, Itália e Suécia.
A segunda tentativa não foi destruída pela falta de interesse, mas sim pela primeira grande guerra mundial, entre 1914 e 1918. Somente nas mãos de Jules Rimet, em 1928, e com o sucesso do torneio olímpico de futebol, a primeira Copa do Mundo saiu do papel e virou realidade. Durante um congresso da Fifa em Amsterdã, ficou decidido o que todos nós já sabemos: a partir de 1930, e a cada quatro anos, seria realizado um campeonato internacional de futebol. Meses depois, ficou decidido de que o Uruguai, bicampeão olímpico, seria o primeiro país-sede da competição, depois da desistência de Espanha, Holanda, Hungria, Itália e Suécia.
Com isso, o Uruguai se credenciou como grande favorito a levar, pela primeira vez, a taça de ouro, criada pelo francês Abel La Fleur e batizada posteriormente de Jules Rimet, o francês criador da Copa. Dos demais 15 participantes convidados, apenas 13 compareceram. Destes, somente quatro eram europeus: eles levaram seis semanas, somados os dias da travessia do Atlântico num navio, da disputa e do retorno ao velho continente, e poucas associações nacionais podiam arcar com os custos.Forma de disputa
Jules Rimet e o húngaro Maurice Fischer encarregaram-se de estabelecer a primeira fórmula de disputa de uma Copa do Mundo. Os times se dividiram em quatro grupos, jogariam entre si e o vencedor de cada chave estava classificado para as semifinais. Não houve disputa de terceiro lugar.O BRASIL NA COPA
Eliminatórias?
A Copa de 1930 não precisou de eliminatórias. Ao contrário dos dias atuais, quando todos querem participar, naquela época o mundo mergulhava em sérios problemas econômicos graças ao crash da bolsa nos EUA, o profissionalismo no futebol ainda era pequeno e transporte era um grande problema. Alguns dos países convidados não puderam comparecer. Foi o caso de Alemanha, Áustria, Espanha, Itália, Hungria, Suíça e Inglaterra, que tinham feito suas inscrições e desistiram de atravessar o Atlântico. O primeiro mundial foi quase uma Copa América. Nenhum país africano ou asiático.
Briga entre Rio e São Paulo prejudica o Brasil
A seleção brasileira foi a única que garantiu presença em todos os mundiais. Mas na sua estréia, o time ficou com um medíocre sexto lugar. A mística da melhor seleção do mundo só não começou em 30 porque uma briga entre Rio e São Paulo estragou a participação do Brasil. A Associação Paulista de Esportes Atléticos (Apea) não quis ceder à Confederação Brasileira de Desportos (CBD) os jogadores que atuavam em São Paulo, com um pretexto bastante bobo: a CBD não admitiu a presença de um integrante da Apea na comissão técnica. Com isso, o Brasil foi a Montevidéu desfalcado de valores como o atacante Friedenreich, o maior ídolo da época e autor do gol que deu ao país o histórico Campeonato Sul-Americano de 1919, além do zagueiro Del Debio e o goleiro Athié. Apenas um paulista foi chamado: Araken Patuska. Ele havia brigado com o Santos e estava sem clube.
Logo na estréia, uma partida muito disputada e equilibrada. Mas a Iugoslávia surpreendeu e acabou derrotando o Brasil por 2 a 1, gols de Tirnanic, que nos anos sessenta seria o técnico da seleção, e Beck. O Brasil poderia muito bem ter empatado a partida: Preguinho marcou o gol de honra do Brasil, e o árbitro ainda anulou um gol brasileiro alegando impedimento. Fausto, do Vasco, ficou conhecido por ter sido o talento solitário do Brasil. Seu futebol elegante lhe garantiu, nos jornais uruguaios, o apelido de "Maravilha Negra". No jogo seguinte, o Brasil bateu a Bolívia por 4 a 0. Mas já era tarde: a Iugoslávia sagrou-se campeã de seu grupo e disputou a semifinal com o Uruguai.
Apesar disso, a derrota "dos cariocas" foi festejada em São Paulo. Quando souberam do resultado, os paulistas foram para as ruas comemorar, aos gritos de "morram, cariocas". A manifestação surpreendeu os jogadores e dirigentes do Húracan, time da Argentina que fazia excursão pelo Brasil: os portenhos não entendiam como os brasileiros conseguiam comemorar a derrota do próprio país.
O destaque brasileiro: Preguinho
João Coelho Netto, filho do escritor Coelho Netto, ficou conhecido por Preguinho, praticou nove modalidades de esporte antes de chegar ao futebol. E mais: conquistou 55 títulos, entre eles, o campeonato carioca de basquete em 1924, 25, 26, 27 e 31, de atletismo em 1925 e de voleibol em 1923. Em 1925, depois de nadar os 600 m e ajudar o Fluminense a ser tri estadual de natação, foi de táxi a Laranjeiras a tempo de jogar contra o São Cristóvão e ganhar o Torneio Início. Afinal, o futebol sempre foi sua paixão. Mas este prazer começou a diminuir com o aparecimento do profissionalismo em 1933. Preguinho, que sempre considerara o futebol um divertimento e jogava apenas por prazer, jamais se profissionalizou e sofreu muito quando foi adotada a lei que só permitia aos amadores jogarem três vezes num time profissional.
O capitão da seleção brasileira de 1930 foi o autor do primeiro gol brasileiro em Copas do Mundo, no Uruguai, em 1930 - o gol de honra na derrota para a Iugoslávia por 2 a 1 e, além de ser também o primeiro capitão do time, no jogo contra a Bolívia, marcou dois gols na vitória por 4 a 0. Nos jogos que disputou sempre fez gols. Participou da campanha do tricampeonato de 1936, 37 e 38, e por cinco vezes foi artilheiro do Fluminense (em 1928 e 32, também do Campeonato Carioca, com 16 e 21 gols). Em 1929 marcou nove gols, fez 20 em 1930 e 10 em 1931. No total, foram 184 gols com a camisa tricolor, o que o torna o terceiro maior artilheiro da história do clube das Laranjeiras. Morreu em 1979.
Jogos do Brasil
Iugoslávia 2x1 BrasilData: 14 de julho de 1930
Local: Parque Central (Montevidéu
Público: 5.000 espectadores
Iugoslávia: Yavovic; Ivkovic, Milhailovic, Arsenievic, Stefanovic, Djokic, Tirnanic, Marianovic, Beck, Vujadinovic e Seculic.
Brasil: Joel, Brilhante, Itália, Hermógenes, Fausto, Fernando, Poly, Nilo, Arakem, Preguinho e Teóphilo.
Gols: Tirnanic, aos 21 e Beck, aos 31 minutos do primeiro tempo; Preguinho, aos 17 minutos do segundo tempo.
Árbitro: Anibal Tejada (Uruguai)
Brasil 4x0 Bolívia
Data: 20 de julho de 1930
Local: Estádio Centenário (Montevidéu)
Público: 1.200 espectadores
Brasil: Velloso, Itália, Ze Luiz, Hermógenes, Fausto, Fernando, Benedito, Russinho, Carvalho, Leite, Preguinho e Moderato.
Bolívia: Bermúdez; Durandal, Chavarria, Sainz, Lara, Valderrama, Ortiz, Bustamante, Mendez, Alborta e Fernandez.
Gols: Moderato, aos 37 minutos do primeiro tempo; Preguinho, aos 12, Moderato, aos 28 e Preguinho, aos 38 minutos do segundo tempo.
Árbitro: Thomas Balway (França).
Jogadores do Brasil
Goleiros: Joel (América), Velloso (Fluminense)
Zagueiros: Brilhante (Vasco), Itália (Vasco), Zé Luiz (São Cristóvão
Meio-campo: Hermógenes (América), Fausto (Fluminense), Fernando (Fluminense), Pamplona (Botafogo), Ivan Mariz (Fluminense), Benevenuto (Flamengo), Fortes (Fluminense), Oscarino (Ypiranga)
Ataque: Poli (Americano), Nilo (Botafogo), Araken (sem clube), Preguinho (Fluminense), Teófilo (São Cristóvão), Benedito (Botafogo), Doca (São Cristóvão), Manoelzinho (Goytacaz), Carvalho Leite (Botafogo), Russinho (Vasco), Moderato (São Cristóvão)
Técnico: Píndaro de Carvalho
